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Se Bolsonaro vencer, quem governará em janeiro será o general Mourão

"Procedimento já era esperado. Data foi escolhida para não atrapalhar eventual posse, já que a operação demanda duas semanas de recuperação"
Vice de Bolsonaro defende nova Constituição sem Constituinte - 13/09/2018 - Poder - Folha
Se o candidato à Presidência, Jair Bolsonaro (PSL), vencer a eleição, quem deverá governar em janeiro será o seu candidato a vice, general Hamilton Mourão. É o que prevê o cirurgião-chefe da equipe médica do candidato, Antônio Luiz Macedo, do Hospital Israelita Albert Einstein.

Em entrevista ao Estadão, na tarde desta quarta-feira (10), o especialista afirmou que a operação para fechamento da colostomia (exteriorização do intestino para saída das fezes) só poderá ser feita após o dia 12 de dezembro.
A cirurgia, que requer duas semanas de recuperação, deverá ser adiada. Se o paciente se submetesse à operação ainda neste ano não haveria garantias que ele estaria completamente recuperado para uma eventual posse, no dia 1.º de janeiro.
"Bolsonaro deve passar por nova cirurgia em janeiro para retirada da bolsa de colostomia em janeiro @FlavioBolsonaro/Divulgação"
Dessa forma, o ideal, segundo o médico, é que o procedimento seja feito somente em janeiro. “Eu me sentiria mais seguro se a gente fechasse (a colostomia) após a (eventual) posse, em janeiro. Mas se ele quiser fazer antes, não vejo grandes dificuldades”, declarou. 
“Ele é muito ativo, quase impulsivo, tem muita disposição para fazer as coisas, é capaz de ele querer tirar antes. Acho que se os exames estiverem bons no dia 18 de outubro, esperando terminar o pleito eleitoral, ele decide se fecha no meio de dezembro ou em janeiro”, disse Macedo.
Riscos
Embora a cirurgia de reversão de colostomia seja menos complexa do que as anteriores, ela não está isenta de riscos. Assim como em qualquer operação do sistema digestivo, pode ocasionar complicações como infecções, fístulas ou obstruções intestinais.
A recuperação, no entanto, deverá ser mais rápida que a das cirurgias anteriores.
Segundo Guilherme Cotti, cirurgião do aparelho digestivo do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) do Hospital das Clínicas de São Paulo, o tempo de internação médio após cirurgias de reversão de colostomia é de uma semana.
“É uma semana no hospital e outra semana de recuperação em casa, com repouso. Se tudo correr bem, a alimentação já é reintroduzida dois ou três dias após a cirurgia”, afirmou.
Assim, se a cirurgia for realmente realizada em janeiro, o presidenciável, caso eleito, ficaria impedido de comparecer a compromissos oficiais por pelo menos duas semanas.
Após o período de reintrodução alimentar e cicatrização, o paciente já é liberado para suas atividades normais se o sistema digestivo voltar a funcionar normalmente e não for verificada nenhuma complicação, podendo viajar e ter compromissos públicos, segundo os médicos.
Conteúdo Estadão