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Tragédia em MG: saiba quem é a sobrevivente que comoveu o Brasil

Imagens: Rede Social e TV Record
Resgatada da lama e em meio aos destroços, Thalyta Cristina de Oliveira Souza, de 15 anos, comoveu o Brasil ao ser filmada no momento em que foi salva por bombeiros e populares após o rompimento da Barragem em Brumadinho, Minas Gerais.
As imagens feitas pela TV Record  da jovem coberta de lama rodaram o mundo. Ela aparece sendo puxada para dentro do helicóptero, com pernas e parte do corpo visivelmente lesionados.


À BBC News Brasil, o cunhado de Thalyla, José Antonio Soares Pereira, relatou os momentos de agonia vividos pela jovem. “Ela levantou o braço e pediu socorro, mas já estava no último momento de suspiro. Não aguentava mais” contou José, o único que não estava em casa quando a barragem rompeu.
Imagem: TV Record
Ele tem sido porta-voz da família, repassando o relato da cunhada e da esposa Alessandra de Souza, de 43 anos, que também foi resgatada da lama. Ambas seguem internadas no pronto-Socorro João XXIII.
Thalyta está na unidade de tratamento intensivo, e quebrou a bacia e o fêmur ao ser engolida pela onda de lama despejada após a ruptura da barragem.
“Ela relatou para mim depois que estava sentindo dor, muita dor, que não sentia mais a parte de baixo do corpo”, disse José Antônio.
Imagem: Rede Social
Ambas conseguiram se salvar ao serem puxadas da lama pouco após o acidente por vizinhos que chegaram em busca de sobreviventes e as mantiveram à tona. Depois, foram resgatadas pelos bombeiros.
Mas a filha de Alessandra e de José Antônio – Lays Gabrielle, de 14 anos – está desaparecida desde sexta-feira.
“A minha esposa está toda inchada, toda roxa, e só faz perguntar por ela”, conta José Antônio. “A Lays era tudo para nós. Era a única filha que a gente tinha.”
Thalyta havia chegado a Brumadinho havia apenas quatro dias antes para morar com a irmã mais velha depois que a mãe das duas faleceu, há quatro meses. Ela morava em Várzea de Palma, no norte de Minas, de onde toda a família vem.
As duas irmãs têm relação de mãe e filha por causa da diferença de idade, de quase 20 anos, e Thalyta foi criada como irmã de Lays, apenas um ano mais jovem.

“É como estar dentro de um liquidificador gigante”

As três estavam em casa, se preparando para almoçar, quando a onda de lama chegou.
Thalyta foi morar com a irmã Alessandra quatro dias antes do rompimento da barragem Imagens: Rede Social
José Antônio conta que Alessandra ouviu um barulho enorme e gritou para todas correrem, e cada uma fugiu para um canto. Thalyta ouviu um grito de dor da Lays – e depois não houve mais sinal da jovem.
“A onda era tão grande, tão imensa, mandava você para um lado, para o outro – esses são os relatos delas, você achava que estava embaixo, estava em cima”, descreve José Antônio.
“A única imagem que a gente tem é como se você estivesse dentro de um liquidificador gigante, sendo girada de um lado e para o outro, e sendo esmagada por pedra, pau, ônibus, veículo, porta, tudo que estava vindo para baixo, esmagando as pessoas, quebrando tudo.”
Alessandra conseguiu ir para um lugar com menos correnteza e logo chegaram dois moradores que ajudaram a puxá-la da lama. “Ela gritou, ‘salve minhas duas filhas lá no meio!’ Aí um deles ficou com a minha esposa e o outro afundou na lama para ajudar a Thalyta. Ele conseguiu puxar ela para um lugar mais raso, nas margens da lama, e ficou dando apoio para ela, conversando, fazendo ela ficar acordada até os bombeiros chegarem”, conta.

Casa e pousada devastada

A família vivia na Pousada Nova Estância – o charmoso hotel que costumava hospedar celebridades e receber turistas que vinham a Brumadinho para conhecer o Inhotim, centro de arte contemporânea. José Antônio era superintendente de serviços gerais desde que o hotel abriu, há dez anos, e tinha uma casa dentro da propriedade, cercada de verde em uma área de proteção ambiental.
“Eu tinha uma paixão imensa pela pousada. Aquilo era lindo, maravilhoso, um lugar encantador, admirado por todo mundo.”
Naquela sexta-feira, por acaso, José Antônio havia ido resolver pendências em Belo Horizonte. Um amigo ligou dizendo que tinha havido um rompimento da barragem. “Eu não entendi. Não imaginava o grau. Achei que uma quantidade pequena de água havia vazado. Quando liguei a rádio que fui entender a dimensão.”


José Antônio conseguiu ter notícias de que a esposa e Thalyta estavam a salvo – mas correu para o local atrás de sinais de sua filha.
Não havia mais casa, pousada, nada. As construções charmosas, o paisagismo cuidadoso, os ateliês de cerâmica e pintura dos proprietários, Cleo e Márcio Mascarenhas, o trabalho de anos de dedicação dos donos e dos funcionários – tudo estava submerso em um mar de lama.
José Antônio clama por justiça – e para que em Brumadinho não se repita a morosidade que se viu após a tragédia de Mariana, que até hoje não teve culpados condenados. Ele já não tem esperanças de encontrar Lays com vida, e relata que Thalyta tem dito que deveria ter morrido em seu lugar.
“A dor é muito grande. Perdemos nossas famílias, nossos pertences, nossas lembranças. Nada vai trazer isso de volta”, lamentou.
*As informações são da repórter