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Morre “sertanejo” da dupla Zé Caboclo e Sertanejo de Pirassununga

A trajetória artística de Zé Caboclo (Heitor Felisberto Luiz) e Sertanejo (Agenor de Lima) teve início em 1970.  Era a dupla sertaneja mais antiga  em atividade em Pirassununga


Foto: Rede Sociais 
Faleceu na terça-feira (20), aos 82 anos, Agenor de Lima, o “Sertanejo”, que fazia dupla desde 1970 com “Zé Caboclo”. Casado com Amélia Bichoff, deixa filhas e demais parentes. Com a presença de familiares e amigos, o sepultamento ocorreu às 9h desta quarta-feira (21) no Cemitério Municipal de Pirassununga.


Há algum tempo, Sertanejo (Perigoso), vinha enfrentando alguns problemas de saúde.

A dupla Zé Caboclo & Sertanejo era uma das mais longevas em atividades na região. Em 2020 eles completariam 50 anos cantando juntos. 

Conheça um pouco dessa história.

Zé Caboclo e Sertanejo: 

49  Anos cantando juntos

A trajetória da dupla Zé Caboclo & Sertanejo teve início em 1970.


Foto: Rede Sociais 
Zé Caboclo (Heitor Felisberto Luiz), 81 anos, nasceu na Usina São Luiz, em Pirassununga. Começou a cantar em Araras, na Rádio Clube Ararense, quando fazia parte da dupla Araponga e Sabiá. Com Tião Ramos também fez dupla: “Tião e Zé Caboclo”.


Sertanejo (Agenor de Lima), 82 anos, nasceu em Casa Branca, foi batizado em Aguaí e veio morar em Pirassununga na Fazenda Cascalho, de Fernando Costa. Cantou com Zé Moraes (1958), com Zé Caboclo, bem lá atrás, com Canoeiro (1960), entre outros.

Com Zé Moraes, ganhou um concurso em Poços de Caldas, disputando com mais de 60 duplas. E, São Paulo, na Rádio 9 de Julho, conheceu Geraldo Meireles e as melhores duplas do Brasil.


Foto: Rede Sociais 
O apelido “Perigoso”, que o popularizou, surgiu no futebol. E certa vez, num programa de rádio, eu perguntei a ele o porquê do apelido. E, rindo, ele me explicou: “eu era o terror dos gramados”. Sertanejo começou cantando no programa de auditório do Moacir Ravanini, que ia ao ar pelas ondas da Rádio Difusora de Pirassununga.

CAMPEÃ DAS CARTINHAS - Durante 8 anos consecutivos, era atração de destaque do programa Ranchinho Alegre, criado e apresentado por Zé Branco nas manhãs de domingo no Cine Jossandra, e transmitido pela Rádio Difusora. A dupla Zé Caboclo & Sertanejo era a que mais recebia cartinhas do auditório com pedidos musicais.

A apresentação no “Viola, Minha Viola”, da TV Cultura de São Paulo, naquela época sob o comando de Inezita Barroso e Moraes Sarmento, também marcou a trajetória da dupla.

Nenete também foi referência para ambos. Quando exercia a função de diretor artístico da gravadora RCA Victor, Nenete os convidou para gravarem um disco.

Na época, diante das dificuldades e precariedade de recursos, eles acabaram desistindo. “Vontade era o que não faltava”, afirmou Zé Caboclo. “Um disco (LP) levava três meses ou mais pra ficar pronto”, explicou Sertanejo.


Ao longo desses anos convieram lado a lado com duplas que também fizeram história, entre elas, Brunelli & Brunelinho, Lascado & Lascadinho, Joãozinho & João do Pinho, Irmãos Aldriguetti, Pelego, Nelo & Carlinhos, Cássio & Canoeiro, Veracil & Palmeirinha, Duo Guarani (Neide Carneiro e Sebastião Rosa), Pereira & Pereirinha, Sertão & Sertãozinho, quase todos falecidos.

Nesse quase meio século de cantoria, a dupla resistiu aos modismos e a todo tipo de apelo ou tentativa de mascarar e desfigurar a música caipira naquilo que ela tem de melhor.

Medalha Huquiles de Carli

Em 2012, por tão significativa contribuição a nossa cultura, Zé Caboclo & Sertanejo, durante a Semana Nenete, na qualidade de “Destaque do Ano”, receberam da Prefeitura de Pirassununga/Secretaria de Cultura e Turismo a “Medalha Huquiles De Carli de Incentivo às Tradições Caipiras.

Com a volta do novo Ranchinho Alegre, a convite da Secretaria de Cultura e Turismo, eles se apresentaram em algumas edições do programa, cantando e contando causos interessantes e hilariantes que vivenciaram quando passaram pelo programa Ranchinho Alegre, criado e apresentado pelo radialista Zé Branco (José Branco de Miranda).

Infelizmente, por motivos de saúde, Sertanejo ficou impossibilitado de participar em abril último ao lado do companheiro Zé Caboclo, sentados no “Banco de Prosa” do Ranchinho Alegre, comemorativo ao 100º Aniversário de Nascimento de Nenete.

Tive a chance de conhecê-los em janeiro de 1974, quando cantavam no Ranchinho Alegre que o radialista Zé Branco apresentava aos domingos, após o programa “Difusora Aponta o Sucesso” (Chico Mateus e Cláudio Gilberto Genari), nos estúdios da Rádio Difusora.

Infelizmente não pude comparecer ao velório para dar-lhe o último adeus. Só soube do ocorrido por volta das 10h30 de hoje, ao tomar conhecimento do ocorrido através da postagem feita pelo radialista Chico Mateus.

Uma perda lastimável. Estamos todos tristes. Seu canto, sua alegria e seu jeito simples, brincalhão e extrovertido de ser, vão ficar marcados na memória e no coração de todos nós.

Aos familiares os nossos mais profundos sentimentos. 
Descanse em paz meu amigo. Vai deixar muitas saudades. ( As informações são do secretário de Cultura e Turismo, Roberto Bragagnollo )